quinta-feira, 22 de março de 2012

Sem dizer Luto, mas que sinto muita Falta...






Sim, ela parecia diferente. Primeiro eu achei que os pelos estavam caindo mais do que o normal, mas quando ela ficou quietinha, me chamou atenção. Então começaram minhas desconfianças “Fudeu! Ela está grávida.” Então a barriga começou a inchar, e eu tive certeza. As costelas estavam mais salientes, então pensei que a gravidez fosse a grande culpada. Mas quando reparei na ração mofada, me alarmei. Ela simplesmente não estava comendo! E estava quieta cada vez mais... passava horas deitada no mesmo lugar. Então, por falta de grana, não a levei ao veterinário, mas fui em busca de informações com amigos e conhecidos, e quando me falaram que falta de apetite não era sintoma de gravidez, me preocupei. Pedi ajuda à minha mãe, pois me informei que uma simples consulta estava totalmente fora do meu orçamento. Ela parecia cada vez mais mufina e magra, e minha mãe me ajudou.

Eu estava no trabalho quando minha mãe me ligou do veterinário, primeiro ele disse que ela estava com fetos mortos no útero, e tinha desenvolvido uma Hepatite. Fomos em busca do que fazer, mas ele disse que lhe restavam poucas horas de vida, e quando ele cogitou sacrificá-la, meu coração deu um salto e comecei a chorar, pedindo que tentássemos mais para salvar sua vida. Então minha mãe se negou. Levamos em outro veterinário, e o diagnóstico correto: era hepatite mesmo, mas o que parecia ser um feto, era seu fígado inchado.  Então ele receitou um remédio e uma dieta à base de leite condensado, mas não depositou esperanças.

Eu só queria estar perto dela, tentava lhe dar o leite na boca com uma seringa, mas ela parecia se negar a tomar. Vomitava, mas nós tentávamos. Eu estava cheio de esperanças. Ela era minha grande companheira, meu carinho diário, minha criança.. Mas quando minha mãe me ligou no outro dia chorando, eu parecia não sentir o ar. Corri para casa, e ela estava alí, deitada, o movimento de sua respiração era a única coisa que eu via... Então deitei ao seu lado pedindo-lhe para resistir e voltar para mim, e ela pareceu saber que eu havia chegado. Poucos minutos depois, deu seus últimos suspiros. Eu estava inconsolável, para onde fora minha menina, minha princesa, como eu a chamava, o que eu iria fazer ao chegar em casa, por quem eu iria chamar agora...

A enterrei no parque...





Quando chego em casa, ainda olho para o chão, e a vejo me esperando, ou procurando uma brecha para dar uma escapada... na brecha da porta do meu quarto, ainda a vejo parada olhando pra mim, como se me admirasse em silêncio. Ainda a sinto chegando de mansinho e tocando levemente sua patinha em mim pedindo carinho, com seus grandes olhos expressivos. Ainda a vejo no parapeito da sacada, olhando pra baixo, vendo o movimento, assistindo o tempo passar...



Para onde foi minha amiguinha, que em dias frios dormia em baixo da minha cama, ou atrás da porta.. Aquela princesa com mania de nos morder como forma de demonstrar seu carinho... que deitava em cima da gente toda folgada e nos cheirava delicadamente... Minha sapeca, que adorava brincar de pega-pega comigo, se escondia atrás da parede e agarrava meus pés quando eu passava. Minha bebê, que dormia toda enrolada feito uma almofada.. Ela miava quando eu a chamava, quando eu soltava beijos... agora só olho pra uma janela vazia...




Minha mãe me fez refletir, por que não reparei antes? Quem sabe uns dias antes e eu poderia ter salvo sua vida. Talvez se eu estivesse mais ligado ao meu redor, em vez de perder tempo com coisas fúteis, e prestar mais atenção às criaturas que estavam para simplesmente me dar carinho. Era minha responsabilidade cuidar dela, cuidar do seu alimento, da sua caixinha de areia, do seu banho, do seu aconchego...





Deitado ao seu lado, olhando para seus olhos desfocados, eu lhe pedia perdão, e lhe agradecia pelo companheirismo e pelos momentos de alegria que havia me proporcionado, porque ela era uma gatinha diferente, de todos a mais carinhosa, parecia falar com olhar... Eu sabia. Mas era sua hora, seu momento, e eu estava lá. Ela só me esperou para se despedir, me ouvindo chamando-a de princesa, enquanto dava seus últimos suspiros. Ela tinha feito de alguma forma seu papel nessa vida, e partiu em busca de sua evolução.



Mas sempre vou lembrar dela como Minha Princesa Nhamm ♥.






*Seu nascimento*









Obrigado meu amigo Hugo por ter trazido essa vida pra encher de vida um momento da minha vida..



3 comentários:

Raony disse...

quase chorei.

Anônimo disse...

Nossa como é bom te conhece. Pela cogitação de te perder me propus a te conhecer, comecei por aqui e me surpreendi. Você é diferente.

Daiana disse...

Encontrei por acaso o seu texto e achei lindo e triste ao mesmo tempo! Também tenho uma gatinha e amo ela demais! Posso imaginar o tamanho da dor que você passou! Lamento muito! Também imagino seu desespero qd sua mãe preferiu a eutanásia! Sou contra. Em algumas cidades existe hospital público veterinário. Se não tiver, é sempre bom economizar uma quantia todo mês para casos de emergência, pois o veterinário é fundamental! Boa sorte!

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