terça-feira, 9 de novembro de 2010

Capítulo 2 :: "Eu, Meus Sapatos e os Namorados"







Mousse de Cupuaçu com Vodka. 






Quando coloquei o pé para fora do táxi, me deu um frio na barriga. Me controlei, fechei o casaco, coloquei a bolsa no braço e fiquei com o celular na mão. Como diz o Lucas, essa pose é de mulher moderna e elegante, eu particularmente me sentia a própria Blair Waldorf¹ desse jeito, só faltava a fita no cabelo. Joguei os cabelos para trás e segui rumo ao abate. Ele me esperava numa mesinha perto a vidraça. Quando me viu, seu olhar se encheu de brilho e um sorriso largo se estendeu pelo seu rosto. Eu me senti apaixonada. Nos cumprimentamos e ele foi logo elogiando meu cabelo. Anotei isso, precisava checar.
– O que vamos pedir? – perguntou ele se aprumando na cadeira alta, enquanto a atendente preparava o caderninho.
– Quero um duplo com cobertura de chocolate, mel e granulado em volta. – ele pareceu surpreso, mas eu mantive a elegância e os olhos fixos no cardápio.
Quando ele começou a falar, meu celular tocou.
Confesso que fiquei excitado com seu cabelo, mas porque eu queria um igual. – Era Lucas no telefone – Já ele provavelmente achou o comprimento suficiente pra poder segurar firme e puxar enquanto estiver te c...
– Amigaaaaaa! – Interrompi a baixaria, o Bruno pareceu ter se assustado – Onde você está?
Em casa, tomando um sorvete de baunilha com frutas tropicais e assistindo pela milésima vez a primeira temporada de Glee².
– Uhum. Vou abrir o seu perfume Carolina Herrera. – Isabela trouxe esta manhã para ele da última viagem que fez à Paris nas férias e esqueceu na minha casa quando foi me entregar uma bolsa Prada que eu morri quando coloquei no braço.
Rapariga... Atrás do vaso vermelho. – detalhe que o vaso ficava atrás da cadeira de Bruno. Contive um riso e dei uma leve tossida. – Acho que soltei um pum. – foi a última coisa que ele disse e desligou.
Bruno fez uma careta e colocou as mãos na boca... Eu quase me engasguei.
– Você ta sentindo...
– Nossos pedidos! – Salva pelo gongo.
Lucas tinha essa mania azeda de me seguir em alguns encontros. É fácil quando ele mora no prédio em frente ao meu. Às vezes eu achava que ele havia colocado uma escuta no meu apartamento, ou subornava o meu porteiro por informações, simplesmente não sabia como ele conseguia me encontrar. No início eu ficava furiosa, mas no meio do encontro eu saía para ir ao banheiro e nos encontrávamos no hall e morríamos de contar piadas sobre o boy em questão. Uma vez eu fiz o mesmo com ele e o segui até um barzinho gay, mas tive ajuda por que ele postou no Twitter que iria sair para aquendar um boy, então só tive o trabalho de vestir qualquer coisa depressa e segui-lo por três quarteirões. Assim que cheguei no bar, uma mulher ma cantou, daquelas tipo caminhoneira, quando eu disse que gostava de pênis, ela me chamou de racha uó, e eu fui salva pelo Lucas que me viu assim que entrei com meu casaco laranja e dourado. Confesso que não sou muito boa em atividades de perseguição e discrição. Acabamos a noite tomando tequila, o boy dele não era nada divertido, e cantamos quase todas as músicas do karaokê. Memorável.
Quando o Bruno começou a falar de MTV e os últimos vencedores do VMA, eu me levantei pra ir ao banheiro. Antes que pudesse chegar à porta, o Lucas me agarrou pelo braço.
– Que merda é essa? Quando ele vai passar a perna por entre as suas?
– Tá louco, menino? – eu ficava chocada com a ansiedade sexual dele.
– Vai dizer que ta curtindo esse papo de música e MTV? Se eu soubesse que seria um encontro amigável, tinha ficado em casa cantando “Don’t Stop Believe”.
– Na verdade to achando ele um cara rico em informações diversas.
Ele ficou parado por uns segundos me olhando.
– Preciso retocar meu batom. – e entrou no banheiro masculino.
Ele tinha razão. O papo tava super chato e eu precisava pular em cima dele. Eu não queria admitir que o cara não tinha muito papo legal, afinal passei duas horas pra chegar nele na noite que nos conhecemos, e antes que eu pudesse esperar pra saber o segundo ou o terceiro nome dele, pulei em seu pescoço e só nos separamos depois da minha boca estar dormente. E fora o fato dele ser um gato! Homens com um abdômen durinho daqueles a gente não espera muito pra ver o que vai sair da boca deles. Só a língua dentro da sua boca.
Quando voltei pra mesa, ele parecia abandonado brincando com o canudinho. E voltamos aos assuntos diversos... Eu não me sentia muito empolgada. De repente o vaso criou vida e a cabeça de Lucas surgiu entre as folhagens.
– Oi, Karol! Amor! Nem vi você quando passei por aqui. – Bruno pareceu assustado.
– Foi, amigo? Nem eu vi você... – Eu queria dar um murro nele ao mesmo tempo em que eu queria dar uma gargalhada daquilo. Parecia inconveniente, mas eu achava hilário esses ataques do Lucas.
Ele deu a volta e ficou em pé ao lado da nossa mesa.
– Tudo bom, gato? Meu nome é Lucas e você deve ser... Tiago? – claro, ele tinha que fazer aquilo.
– Não, não. Bruno. Prazer. – e olhou pra mim com uma cara curiosa. Eu dei de ombros.
– Vamos, vamos, três mousses de cupuaçu com vodka. Você vai amar isso. – gritou pra atendente que já estava preparando.
Rapidinho deu dez horas e a música começou a ficar agitada. Eu comecei a sentir um calor e o Bruno começou a dançar demais. Quando ele trocava os pés nuns passos rápidos ao ritmo da música, o Lucas tocou meu braço e me perguntou o que era aquilo. Eu só fiz dar uma risada. Definitivamente, meu encontro tinha ido por águas. Aquilo estava virando costume, meus encontros casuais e tranquilos se transformarem em troca de pés e passinhos de dança. Da última vez, a Paula apareceu no meio de um jantar até elegante que estava tendo com o diretor de um clube de dança, e ela simplesmente começou a dançar com ele na pista junto com um monte de casal mais velho. Tudo bem, no fim ela acabou pegando o cara, eu achava ele muito velho pra mim mesmo, e ela me agradeceu pelas semanas de aulas de dança grátis.
Depois de cinco mouses com vodka, nós estávamos dançando e querendo subir no balcão. Como era de costume nós irmos lá para tomar duzentos sorvetes semanalmente, o pessoal que trabalha lá já nos conhecia, então era fácil lidar com eles. O bom do local era que durante o dia era uma sorveteria inocente, mas à noite os sorvetes e mousses ganhavam um toque de vodka, tequila e até mesmo Martini. Isa adorava o sorvete de groselha com Whisky, eu preferia os de frutas com vodka mesmo. Paula se entupia de Smirnoff Ice congelada com sorvete de limão e não parava de beber até estar com a língua dormente de gelada. Pelo menos eles economizavam no ar-condicionado.
Depois de me fazerem descer pela quinta vez do balcão, porque simplesmente eu queria fazer a linha do filme “Show Bar” e rebolar lá em cima, me contentei em dançar a coreografia completa de “Single Ladies” com Lucas no tapete em forma de laranja no meio da pista de dança. Quando dei por mim, estávamos num táxi a caminho de casa e Lucas não parava de cantar. O Bruno só fazia rir. Confesso que achei o jeito retardado dele um pequeno charme. No final de “Garganta” da Ana Carolina, estávamos em frente ao meu prédio.
– Quer que eu te leve até a porta? – perguntou Bruno com as bochechas rosadas. Lucas fez uma cara de Amélia.
– Anda, sobe com ela, gato.
– Mas eu não estou mais bêbada. Não precisa... – confesso que ainda me sentia tonta.
– Que se dane o Decreto. O abdômen dele é mais importante. – falou Lucas no meu ouvido. – Vamos, preciso ir pra casa. Dinheiro para o táxi. – e estendeu a mão estalando os dedos para o Bruno, que lhes entregou umas cédulas de dez. Eu mal conseguia acreditar na cara de pau de Lucas. – Boa noite, bunita! Beijo na princesinha. – Gritou de dentro do táxi, que seguiu até a esquina onde ele desceu e entrou no seu prédio.
– O que ele quis dizer...
– Não faço idéia. – o interrompi da pergunta embaraçosa.
Quando chegamos à minha porta, ele me deu um beijo suave e já ia se afastando, então, com a força e a vontade da vodka, somente dela, eu lhes puxei pela nuca e dei-lhe um chupão. Que se dane o Decreto mesmo. Ele me levantou pela cintura, me pôs para dentro fechando a porta com o pé, tirou a blusa pelas costas, um gesto que eu achava extremamente sensual, e me senti molhada. De suor. Daí em diante, tudo aconteceu como em câmera lenta, mas mais rápido do que eu podia processar.
Ele me deitou no sofá e começou a me beijar e a tirar minha blusa, deixando meu sutiã, e eu me sentia impaciente. A vodka sempre mexia com meus instintos, e o calor entre minhas pernas era maior que o normal. Quando ele tirou minha calça e assoprou entre minhas pernas, assoprou, juro pela minha bolsa Prada, eu tive um orgasmo.  Então ele deitou no chão da sala, tirou as calças e me colocou em cima dele, quando senti seu prazer pulsando em baixo de mim, me senti molhada de novo. De mais suor. Eram alguns gestos que me faziam tremer, a mordida suave em minha orelha, a puxada em meu cabelo, a língua circulando em volta de meu mamilo, era tudo uma loucura.  A sensação era de vários orgasmos consequentes e eu mal me sentia cansada. E ele muito menos. Quando os movimentos eram intensos e eu estava à beira de explodir, ele ia mais devagar e me impulsionava pra frente. Minha cabeça virava para trás. Então ele me virou de costas e beijou minha nuca, sua velocidade foi aumentando e foi quando tivemos a explosão juntos.
Era inacreditável o que tinha acabado de acontecer. Eu mal conseguia me mexer e estava ofegante, estava molhada de suor, e meus cabelos soltos e bagunçados. Ele me abraçou, me colocou em seu peito e foi quando eu comecei a relaxar. Adormeci rapidamente me drogando com aquele cheiro masculino.






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¹Personagem do seriado americano "Gossip Girl".
²Seriado musical americano apresentado pelo canal Fox no Brasil.

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