domingo, 14 de novembro de 2010

Dar não é Fazer Amor



"Dar é dar.
Fazer amor é lindo,
é sublime,
é encantador,
é esplêndido,
mas dar é bom pra cacete.



Dar é aquela coisa
que alguém te puxa os cabelos da nuca,
te chama de nomes que eu não escreveria,
não te vira com delicadeza,
não sente vergonha de ritmos animais.

Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.

Dar sem querer casar,
sem querer apresentar pra mãe,
sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.

Dar porque
o cara te esquenta a coluna vertebral,
te amolece o gingado, te molha o instinto.

Dar porque
a vida de uma publicitária em começo de carreira
é estressante, e dar relaxa.

Dar porque
se você não der para ele hoje,
vai dar amanhã, ou depois de amanhã.

Dar sem esperar ouvir promessas,
sem esperar ouvir carinhos,
sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para as mais desavisadas, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazia.

Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro
quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar,
para apresentar pra mãe,
pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que cê acha amor?".

Dar é inevitável,
dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda,
muito mais do que qualquer coisa,
uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa,
cura o mau humor,
ameniza todas as crises e faz você flutuar
o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.



Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Mas... experimente ser amada." 




Luís Fernando Veríssimo.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Capítulo 2 :: "Eu, Meus Sapatos e os Namorados"







Mousse de Cupuaçu com Vodka. 






Quando coloquei o pé para fora do táxi, me deu um frio na barriga. Me controlei, fechei o casaco, coloquei a bolsa no braço e fiquei com o celular na mão. Como diz o Lucas, essa pose é de mulher moderna e elegante, eu particularmente me sentia a própria Blair Waldorf¹ desse jeito, só faltava a fita no cabelo. Joguei os cabelos para trás e segui rumo ao abate. Ele me esperava numa mesinha perto a vidraça. Quando me viu, seu olhar se encheu de brilho e um sorriso largo se estendeu pelo seu rosto. Eu me senti apaixonada. Nos cumprimentamos e ele foi logo elogiando meu cabelo. Anotei isso, precisava checar.
– O que vamos pedir? – perguntou ele se aprumando na cadeira alta, enquanto a atendente preparava o caderninho.
– Quero um duplo com cobertura de chocolate, mel e granulado em volta. – ele pareceu surpreso, mas eu mantive a elegância e os olhos fixos no cardápio.
Quando ele começou a falar, meu celular tocou.
Confesso que fiquei excitado com seu cabelo, mas porque eu queria um igual. – Era Lucas no telefone – Já ele provavelmente achou o comprimento suficiente pra poder segurar firme e puxar enquanto estiver te c...
– Amigaaaaaa! – Interrompi a baixaria, o Bruno pareceu ter se assustado – Onde você está?
Em casa, tomando um sorvete de baunilha com frutas tropicais e assistindo pela milésima vez a primeira temporada de Glee².
– Uhum. Vou abrir o seu perfume Carolina Herrera. – Isabela trouxe esta manhã para ele da última viagem que fez à Paris nas férias e esqueceu na minha casa quando foi me entregar uma bolsa Prada que eu morri quando coloquei no braço.
Rapariga... Atrás do vaso vermelho. – detalhe que o vaso ficava atrás da cadeira de Bruno. Contive um riso e dei uma leve tossida. – Acho que soltei um pum. – foi a última coisa que ele disse e desligou.
Bruno fez uma careta e colocou as mãos na boca... Eu quase me engasguei.
– Você ta sentindo...
– Nossos pedidos! – Salva pelo gongo.
Lucas tinha essa mania azeda de me seguir em alguns encontros. É fácil quando ele mora no prédio em frente ao meu. Às vezes eu achava que ele havia colocado uma escuta no meu apartamento, ou subornava o meu porteiro por informações, simplesmente não sabia como ele conseguia me encontrar. No início eu ficava furiosa, mas no meio do encontro eu saía para ir ao banheiro e nos encontrávamos no hall e morríamos de contar piadas sobre o boy em questão. Uma vez eu fiz o mesmo com ele e o segui até um barzinho gay, mas tive ajuda por que ele postou no Twitter que iria sair para aquendar um boy, então só tive o trabalho de vestir qualquer coisa depressa e segui-lo por três quarteirões. Assim que cheguei no bar, uma mulher ma cantou, daquelas tipo caminhoneira, quando eu disse que gostava de pênis, ela me chamou de racha uó, e eu fui salva pelo Lucas que me viu assim que entrei com meu casaco laranja e dourado. Confesso que não sou muito boa em atividades de perseguição e discrição. Acabamos a noite tomando tequila, o boy dele não era nada divertido, e cantamos quase todas as músicas do karaokê. Memorável.
Quando o Bruno começou a falar de MTV e os últimos vencedores do VMA, eu me levantei pra ir ao banheiro. Antes que pudesse chegar à porta, o Lucas me agarrou pelo braço.
– Que merda é essa? Quando ele vai passar a perna por entre as suas?
– Tá louco, menino? – eu ficava chocada com a ansiedade sexual dele.
– Vai dizer que ta curtindo esse papo de música e MTV? Se eu soubesse que seria um encontro amigável, tinha ficado em casa cantando “Don’t Stop Believe”.
– Na verdade to achando ele um cara rico em informações diversas.
Ele ficou parado por uns segundos me olhando.
– Preciso retocar meu batom. – e entrou no banheiro masculino.
Ele tinha razão. O papo tava super chato e eu precisava pular em cima dele. Eu não queria admitir que o cara não tinha muito papo legal, afinal passei duas horas pra chegar nele na noite que nos conhecemos, e antes que eu pudesse esperar pra saber o segundo ou o terceiro nome dele, pulei em seu pescoço e só nos separamos depois da minha boca estar dormente. E fora o fato dele ser um gato! Homens com um abdômen durinho daqueles a gente não espera muito pra ver o que vai sair da boca deles. Só a língua dentro da sua boca.
Quando voltei pra mesa, ele parecia abandonado brincando com o canudinho. E voltamos aos assuntos diversos... Eu não me sentia muito empolgada. De repente o vaso criou vida e a cabeça de Lucas surgiu entre as folhagens.
– Oi, Karol! Amor! Nem vi você quando passei por aqui. – Bruno pareceu assustado.
– Foi, amigo? Nem eu vi você... – Eu queria dar um murro nele ao mesmo tempo em que eu queria dar uma gargalhada daquilo. Parecia inconveniente, mas eu achava hilário esses ataques do Lucas.
Ele deu a volta e ficou em pé ao lado da nossa mesa.
– Tudo bom, gato? Meu nome é Lucas e você deve ser... Tiago? – claro, ele tinha que fazer aquilo.
– Não, não. Bruno. Prazer. – e olhou pra mim com uma cara curiosa. Eu dei de ombros.
– Vamos, vamos, três mousses de cupuaçu com vodka. Você vai amar isso. – gritou pra atendente que já estava preparando.
Rapidinho deu dez horas e a música começou a ficar agitada. Eu comecei a sentir um calor e o Bruno começou a dançar demais. Quando ele trocava os pés nuns passos rápidos ao ritmo da música, o Lucas tocou meu braço e me perguntou o que era aquilo. Eu só fiz dar uma risada. Definitivamente, meu encontro tinha ido por águas. Aquilo estava virando costume, meus encontros casuais e tranquilos se transformarem em troca de pés e passinhos de dança. Da última vez, a Paula apareceu no meio de um jantar até elegante que estava tendo com o diretor de um clube de dança, e ela simplesmente começou a dançar com ele na pista junto com um monte de casal mais velho. Tudo bem, no fim ela acabou pegando o cara, eu achava ele muito velho pra mim mesmo, e ela me agradeceu pelas semanas de aulas de dança grátis.
Depois de cinco mouses com vodka, nós estávamos dançando e querendo subir no balcão. Como era de costume nós irmos lá para tomar duzentos sorvetes semanalmente, o pessoal que trabalha lá já nos conhecia, então era fácil lidar com eles. O bom do local era que durante o dia era uma sorveteria inocente, mas à noite os sorvetes e mousses ganhavam um toque de vodka, tequila e até mesmo Martini. Isa adorava o sorvete de groselha com Whisky, eu preferia os de frutas com vodka mesmo. Paula se entupia de Smirnoff Ice congelada com sorvete de limão e não parava de beber até estar com a língua dormente de gelada. Pelo menos eles economizavam no ar-condicionado.
Depois de me fazerem descer pela quinta vez do balcão, porque simplesmente eu queria fazer a linha do filme “Show Bar” e rebolar lá em cima, me contentei em dançar a coreografia completa de “Single Ladies” com Lucas no tapete em forma de laranja no meio da pista de dança. Quando dei por mim, estávamos num táxi a caminho de casa e Lucas não parava de cantar. O Bruno só fazia rir. Confesso que achei o jeito retardado dele um pequeno charme. No final de “Garganta” da Ana Carolina, estávamos em frente ao meu prédio.
– Quer que eu te leve até a porta? – perguntou Bruno com as bochechas rosadas. Lucas fez uma cara de Amélia.
– Anda, sobe com ela, gato.
– Mas eu não estou mais bêbada. Não precisa... – confesso que ainda me sentia tonta.
– Que se dane o Decreto. O abdômen dele é mais importante. – falou Lucas no meu ouvido. – Vamos, preciso ir pra casa. Dinheiro para o táxi. – e estendeu a mão estalando os dedos para o Bruno, que lhes entregou umas cédulas de dez. Eu mal conseguia acreditar na cara de pau de Lucas. – Boa noite, bunita! Beijo na princesinha. – Gritou de dentro do táxi, que seguiu até a esquina onde ele desceu e entrou no seu prédio.
– O que ele quis dizer...
– Não faço idéia. – o interrompi da pergunta embaraçosa.
Quando chegamos à minha porta, ele me deu um beijo suave e já ia se afastando, então, com a força e a vontade da vodka, somente dela, eu lhes puxei pela nuca e dei-lhe um chupão. Que se dane o Decreto mesmo. Ele me levantou pela cintura, me pôs para dentro fechando a porta com o pé, tirou a blusa pelas costas, um gesto que eu achava extremamente sensual, e me senti molhada. De suor. Daí em diante, tudo aconteceu como em câmera lenta, mas mais rápido do que eu podia processar.
Ele me deitou no sofá e começou a me beijar e a tirar minha blusa, deixando meu sutiã, e eu me sentia impaciente. A vodka sempre mexia com meus instintos, e o calor entre minhas pernas era maior que o normal. Quando ele tirou minha calça e assoprou entre minhas pernas, assoprou, juro pela minha bolsa Prada, eu tive um orgasmo.  Então ele deitou no chão da sala, tirou as calças e me colocou em cima dele, quando senti seu prazer pulsando em baixo de mim, me senti molhada de novo. De mais suor. Eram alguns gestos que me faziam tremer, a mordida suave em minha orelha, a puxada em meu cabelo, a língua circulando em volta de meu mamilo, era tudo uma loucura.  A sensação era de vários orgasmos consequentes e eu mal me sentia cansada. E ele muito menos. Quando os movimentos eram intensos e eu estava à beira de explodir, ele ia mais devagar e me impulsionava pra frente. Minha cabeça virava para trás. Então ele me virou de costas e beijou minha nuca, sua velocidade foi aumentando e foi quando tivemos a explosão juntos.
Era inacreditável o que tinha acabado de acontecer. Eu mal conseguia me mexer e estava ofegante, estava molhada de suor, e meus cabelos soltos e bagunçados. Ele me abraçou, me colocou em seu peito e foi quando eu comecei a relaxar. Adormeci rapidamente me drogando com aquele cheiro masculino.






______________
¹Personagem do seriado americano "Gossip Girl".
²Seriado musical americano apresentado pelo canal Fox no Brasil.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Inspire-se...



O que se pode fazer quando um sonho pelo qual se lutou tanto está prestes a ser perdido?


E o que se pode fazer quando esse sonho pode ser perdido justamente por uma falha momentânea sua?



Esse é o tipo de situação que acontece com muita gente, uma delas pode até ser você. Eu, por exemplo, me encontro nessa situação e definitivamente não sei o que fazer, aliás, até sei, só não tenho a certeza se esse é o caminho certo.
Nós passamos muito tempo em nossas vidas pensando sobre como deve ser o futuro, fazendo planos para os próximos anos, idealizando sonhos.. Sempre planejamos algo que corresponda perfeitamente às nossas vontades e necessidades.
Mas, por que será que não aprendemos ainda a valorizar algo pelo qual lutamos com tanta garra e demos tanto de nossa energia e de nossa alma pra se tornar realidade? Esse é o nosso grande defeito.
Lembro-me que há algum tempo atrás um de meus piores pesadelos se tornou um sonho. No começo não sabia como lidar com essa situação, mas com o passar do tempo acabei aprendendo. Quer saber como? Me inspirando.
Sabe aquela sensação que você tem quando começa a gostar desesperadamente de alguém? Você simplesmente não pára de pensar na pessoa amada e tudo parece bem mais fácil. As músicas sempre são mais intensas, os textos românticos sempre são melhores compreendidos e até uma simples risada acaba saindo de uma maneira diferente. Isso se chama Inspiração.
É essa a tal da força que faz com que os músicos compunham suas canções, os escritores passam para o papel suas emoções, eu mesmo estou me utilizando dela para escrever esse texto. E sobre inspiração só posso dizer uma coisa: é a melhor maneira para expressar o que é sentido por você, leitor.
Busque uma maneira de se inspirar, conte ao mundo como você se sente, não importa a maneira, simplesmente deixe f l u i r . Eu me inspiro sempre que assisto One Tree Hill e não me envergonho de confessar isso..
Seja quem você é, não se preocupe com o que pensarão sobre você. Sempre haverá críticos, mas também sempre haverá aqueles que irão te apoiar não importando a situação, assim é que funciona a vida.


D a n c e , pule , grite para todo mundo o que você realmente é, quem você realmente é. Viva a vida, curta não cada momento, mas sim “o momento” sempre. Isso é simples, apenas 

Inspire-se.






Texto de: Gleilson Costa 





linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...