quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"Eu, Meus Sapatos e os Namorados"




Capítulo 1
Prólogo


Quando o telefone tocou no fim da manhã, eu já havia perdido todas as esperanças de receber aquele telefonema, mas quando ouvi a voz de Bruno falando do outro lado da linha, meu coração deu um disparo de felicidade. Ele me ligou! Ele não perdeu meu telefone! Ele gostou de mim! Eu estava louca para ligar para a Paula e contar a novidade. Eu e ele marcamos de nos encontrar numa sorveteria perto da avenida principal, conhecida pelos sorvetes lights e ao mesmo tempo deliciosos, que assim podíamos comer enlouquecidas sem nos preocupar se a calça vai apertar na cintura ao fim de devorar uma taça gigante. O único problema seria demonstrar naturalidade diante da expressão assustada do nosso acompanhante.

A parte difícil era saber o que vestir, como sempre. O bom era que eu conseguira construir um closet enorme o suficiente onde eu podia arrumar as roupas por cores, tamanhos e estilos para determinadas ocasiões. O problema era que eu não conseguia encontrar a roupa adequada para a ocasião Encontro-Casual-Com-O-Cara-Gato-Para-Tomar-Um-Sorvete. Depois de duas horas e meia, optei por uma bata escura, calça capri perolada, acompanhada de um Scarpin preto que vinha até o tornozelo. O cabelo, decidi deixar solto e a franja com um toque pranchado natural. Consegui estar devidamente pronta em apenas meia hora de atraso.

O táxi não demorou muito, quando percebi, já esta em frente à sorveteria e eu me sentia nervosa. O mais sensato seria ter combinado com ele de ir me pegar em casa, mas de acordo com o “Decreto das Mulheres Independentes” que Isabela nos fez selar, nós deveríamos bancar as difíceis até poder ter segurança e liberdade suficiente para concordar que o cara possa nos buscar em casa, e na hora de nos deixar, esquecermos a cerimônia e coloquemos o gostosão para dentro, mas antes disso, deveríamos nos certificar que: a lingerie era exatamente proporcional entre sexy não vulgar e inocente mas pronta pro abate, palavras de Isabela; e é claro, se o cara pagou devidamente a conta, certificando-se de ter deixado uma gorjeta para o atendente. Porque, segundo ela, um namorado que não tem problema em dar gorjeta seria um marido generoso no limite do cartão. E embora esse detalhe vá contra o termo “Mulheres Independentes”, Isa confirma que bancar a difícil é uma exclusividade do começo da conquista, mas que a independência dentro do relacionamento é o vale night para as sextas depois do trabalho com as meninas “Independentes”, no caso, nós.

Só concordamos com esse Decreto, fora ser divertido seguir todo o regulamento para conquistar um homem e na prática acabarmos atropelando as vacas (termo usado por Paula para denominar as concorrentes), porque Isa dormiu com um cara gentil e amoroso, e de manhã recebeu um telefonema da esposa que chegara mais cedo de viagem e decidiu ligar para o marido e dar bom dia, e Isa teve a infelicidade de atender o telefone porque ele estava no banho. Claro que ela se certificou de jogar o celular na privada do Motel e saiu com o carro do safado antes mesmo dele terminar de se ensaboar, alegando para a recepcionista que ela precisava sair para comprar absorventes e voltaria para pegar o namorado que ficara dormindo e não queria acordá-lo. O fato é que ela nunca voltou, deixou o carro dele na esquina da rua e voltou de táxi para casa. Desde esse acontecimento, ela então criou o Decreto para nos protegermos de homens assim, e nós, por consideração, ou por amizade, ou simplesmente diversão, concordamos. E que ela mesma leva as regras a sério, para servir de exemplo, mas todas nós já apostamos para ver até quando ela agüenta sem dormir novamente com um cara antes de levantar sua ficha. Porque como Paula mesmo diz, não importa se o cara é casado ou não, o problema é dele e da mulher, e não nosso, afinal, é só sexo mesmo. Até onde nós sabemos, Paula ainda não se apaixonou verdadeiramente por alguém, por isso é aceitável a sua idéia.

Nenhum comentário:

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...