terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Gays e Tudo o mais...



Ultimamente tem se falado muito em homossexualidade e todos os seus direitos e igualdade, campanhas e movimentos LGBT e esquecemos que essa história é mais velha que os romanos.

Podíamos pensar que esses direitos não são deles, os gays, mas são nossos, o ser humano. Demorou-se décadas para que os negros conquistassem respeito e reconhecimento. Os judeus passaram por tempos difíceis até muitos perceberem que são um povo extremamente rico. Então me pergunto quanto tempo vamos levar para simplesmente poder-se andar de mãos dadas sem os próprios gays olharem espantados e dizerem “Olha a rasgação!”. Rasgação de afeto? Rasgação de carinho? Companheirismo e cumplicidade? Sim, rasgação de sentimento. Sentimento que muitos têm medo de demonstrar porque outros têm mais medo ainda de sujar a imagem da família e até mesmo enfrentar de cara limpa essa discriminação.

Família composta por pais gays, que decidiram ter filhos e criá-los em um novo conceito de respeito e igualdade além dos velhos princípios de caráter. Sim, não é só porque se escolhe amar uma pessoa do mesmo sexo que a reprodução ficou fora de questão, um argumento muito usado pela igreja e famílias conservadoras, que pra mim esses ficaram extremamente ultrapassados em suas ideias (Se bem que nos tempos de hoje, um controle de natalidade cairia bem nessa era de superpopulação). Mas consta que uma criança criada num meio onde a homossexualidade é natural, tem-se mais carinho e respeito dentro de sua criação e caráter, e que isso seja levado adiante.

Parece que quanto mais se fala em igualdade e respeito, mais violência acontece. Mais agressões e gente ‘conservadora’ revoltada querendo enfrentar e eliminar de vez essa forma diferente aos olhos de viver. Não é uma escolha, nem uma opção, é uma característica. “Tenho olhos verdes, cabelos escuros, 1 metro e 75 e sou gay”. Simples assim, nasce com você e ao decorrer da vida isso se manifesta de várias formas diferentes de acordo com a criação. E por mais que se lute contra isso, uma hora se torna maior que você mesmo, e a vontade de ser feliz e poder beijar alguém com tanto desejo e carinho for possível é maior que tudo! E você simplesmente decide aceitar. Quando você se aceita, é apenas o primeiro passo e o mais importante para enfrentar qualquer obstáculo.


Por isso, quando você ver alguém de mãos dadas em demonstração de carinho, reconheça nesse ato a coragem e admire. E lembre-se, violência só gera violência e isso é uma grande bola de neve. Mas defenda-se, com as armas que você possuir, e a maior delas é o amor. Na falta dele, olhe para si mesmo e sinta orgulho de ser ÚNICO. E se duvidar, ESPECIAL.

E se está difícil em casa, dê tempo ao tempo. Os pais, mais cedo ou mais tarde, lembrarão quem são seus filhos e os laços falarão mais alto que qualquer preconceito, por que tudo é a falta de informação. Então tenha paciência. Agarre-se nele, o maior de todos os poderes e a maior de todas as forças, DEUS, porque se ele ei de ser tão perfeito, te fez na mesma perfeição.










E como disse Arnaldo Jabor:










Pense nisso.





quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Paradoxo do Nosso Tempo






“ Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos
frequentemente.

Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos
rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde,
acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV
demais e raramente estamos com Deus.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos
à nossa vida e não vida aos nossos anos.


Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a
rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas
não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo,
mas não nosso
preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos
menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar, e não a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais
informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos
comunicamos cada vez menos.

Estamos na Era do 
fast-food” e da digestão lenta;
do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e
relações vazias.

Essa é a Era de dois empregos, vários divórcios, casas
chiques e lares despedaçados.

Essa é a Era das viagens rápidas, fraldas e Moral
descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das
pílulas 'mágicas'.

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na
dispensa.

Uma Era que leva essa carta a você, e uma era que te
permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar
'
delete'.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas
não estarão aqui para sempre.

Lembre-se de dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo,
pois não lhe custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o)
 e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame...
Se ame muito!

Um beijo e um abraço curam a dor,
quando vêm de lá de dentro.

Por isso, valorize sua família e as pessoas que estão ao
seu lado, sempre!!!!! ”






Acho que esse texto por si só se resume perfeitamente. Essa é a nossa Era, basta pensar se é assim que queremos permanecer, nós ou nossos filhos, porque com o tempo e esse “fast-food”de informações desnecessárias, quem ficará "obeso" é nossa futura geração.


Pense nisso.



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Saudade

“Um dia a maioria de nós irá se separar.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos,
dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que compartilhamos. 
Saudades até dos momentos de lágrima,
de angústia, 
das vésperas de finais de semana,
de finais de ano, 
do companheirismo vivido. 
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. 
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. 
Em breve cada um vai pra seu lado,
seja pelo destino, 
ou por algum desentendimento,
segue a sua vida,
talvez continuemos a nos encontrar quem sabe...
Nos e-mails trocados. 
Podemos nos telefonar e conversar algumas bobagens.... 
Aí os dias vão passar,
Meses...
Anos...
Até este contato tornar-se cada vez mais raro. 
Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão
Quem são aquelas pessoas? 
Diremos que eram nossos amigos.
E...... Isso vai doer tanto! 
Foram meus amigos,
foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! 
A saudade vai apertar bem dentro do peito. 
Vai dar uma vontade de ligar,
ouvir aquelas vozes novamente... 
Quando o nosso grupo estiver incompleto,
nos reuniremos para um último adeus de um amigo.
E entre lágrima nos abraçaremos. 
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. 
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado. 
E nos perderemos no tempo.
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:




Não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades seja a causa de grandes tempestades. Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”







Fernando Pessoa










Esse texto me fez pensar sobre todas as amizades que entraram e saíram da minha vida, mesmo que esse sair não signifique permanentemente, porque o que mais nos liga às pessoas são os sentimentos e as lembranças. E quando penso nisso, penso que poderia ter aproveitado mais o tempo que passamos juntos, não ter deixado pra depois alguma coisa que poderíamos ter feito, e repensar sobre acontecimentos que de certa forma, graças a essa pessoa, aprendemos e crescemos.

Penso nisso, mas dentro de mim, tenho a certeza de que um dia iremos nos encontrar novamente, porque em um determinado período de nossas vidas formamos um laço tão forte que nos acompanhará aonde formos, e quando já estivermos adultos e as mascas das preocupações e experiências de vida marcarem nosso rosto, olharemos nos olhos um do outro e veremos aquela criança com aquele sorriso que tanto nos fez feliz quando mais precisávamos. E isso percorrerá por gerações...

Sempre achei que amizade fosse a coisa mais importante para uma pessoa, e de fato, comprovei isso. Assim como nossa família, nossos amigos nos formaram e nos ensinaram como lidar com cada passo de cada vez. Sempre juntos. Não simplesmente nos impedindo de cair, mas nos dando a mão para levantar e continuar seguindo.

Por isso meus amigos são e sempre serão parte de mim. Mesmo que algo aconteça para nos fazer brigar ou nos afastar, mas um algo mais forte irá nos ligar para sempre, nos juntando novamente, ou não. Isso é a vida quem decide por nós, mas mal sabe ela que quem toma a decisão final somos nós mesmos.


Assim, decido, sem revogação, ter VOCÊ para sempre em minha história.




domingo, 14 de novembro de 2010

Dar não é Fazer Amor



"Dar é dar.
Fazer amor é lindo,
é sublime,
é encantador,
é esplêndido,
mas dar é bom pra cacete.



Dar é aquela coisa
que alguém te puxa os cabelos da nuca,
te chama de nomes que eu não escreveria,
não te vira com delicadeza,
não sente vergonha de ritmos animais.

Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.

Dar sem querer casar,
sem querer apresentar pra mãe,
sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.

Dar porque
o cara te esquenta a coluna vertebral,
te amolece o gingado, te molha o instinto.

Dar porque
a vida de uma publicitária em começo de carreira
é estressante, e dar relaxa.

Dar porque
se você não der para ele hoje,
vai dar amanhã, ou depois de amanhã.

Dar sem esperar ouvir promessas,
sem esperar ouvir carinhos,
sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para as mais desavisadas, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazia.

Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro
quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar,
para apresentar pra mãe,
pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que cê acha amor?".

Dar é inevitável,
dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda,
muito mais do que qualquer coisa,
uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa,
cura o mau humor,
ameniza todas as crises e faz você flutuar
o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.



Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Mas... experimente ser amada." 




Luís Fernando Veríssimo.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Capítulo 2 :: "Eu, Meus Sapatos e os Namorados"







Mousse de Cupuaçu com Vodka. 






Quando coloquei o pé para fora do táxi, me deu um frio na barriga. Me controlei, fechei o casaco, coloquei a bolsa no braço e fiquei com o celular na mão. Como diz o Lucas, essa pose é de mulher moderna e elegante, eu particularmente me sentia a própria Blair Waldorf¹ desse jeito, só faltava a fita no cabelo. Joguei os cabelos para trás e segui rumo ao abate. Ele me esperava numa mesinha perto a vidraça. Quando me viu, seu olhar se encheu de brilho e um sorriso largo se estendeu pelo seu rosto. Eu me senti apaixonada. Nos cumprimentamos e ele foi logo elogiando meu cabelo. Anotei isso, precisava checar.
– O que vamos pedir? – perguntou ele se aprumando na cadeira alta, enquanto a atendente preparava o caderninho.
– Quero um duplo com cobertura de chocolate, mel e granulado em volta. – ele pareceu surpreso, mas eu mantive a elegância e os olhos fixos no cardápio.
Quando ele começou a falar, meu celular tocou.
Confesso que fiquei excitado com seu cabelo, mas porque eu queria um igual. – Era Lucas no telefone – Já ele provavelmente achou o comprimento suficiente pra poder segurar firme e puxar enquanto estiver te c...
– Amigaaaaaa! – Interrompi a baixaria, o Bruno pareceu ter se assustado – Onde você está?
Em casa, tomando um sorvete de baunilha com frutas tropicais e assistindo pela milésima vez a primeira temporada de Glee².
– Uhum. Vou abrir o seu perfume Carolina Herrera. – Isabela trouxe esta manhã para ele da última viagem que fez à Paris nas férias e esqueceu na minha casa quando foi me entregar uma bolsa Prada que eu morri quando coloquei no braço.
Rapariga... Atrás do vaso vermelho. – detalhe que o vaso ficava atrás da cadeira de Bruno. Contive um riso e dei uma leve tossida. – Acho que soltei um pum. – foi a última coisa que ele disse e desligou.
Bruno fez uma careta e colocou as mãos na boca... Eu quase me engasguei.
– Você ta sentindo...
– Nossos pedidos! – Salva pelo gongo.
Lucas tinha essa mania azeda de me seguir em alguns encontros. É fácil quando ele mora no prédio em frente ao meu. Às vezes eu achava que ele havia colocado uma escuta no meu apartamento, ou subornava o meu porteiro por informações, simplesmente não sabia como ele conseguia me encontrar. No início eu ficava furiosa, mas no meio do encontro eu saía para ir ao banheiro e nos encontrávamos no hall e morríamos de contar piadas sobre o boy em questão. Uma vez eu fiz o mesmo com ele e o segui até um barzinho gay, mas tive ajuda por que ele postou no Twitter que iria sair para aquendar um boy, então só tive o trabalho de vestir qualquer coisa depressa e segui-lo por três quarteirões. Assim que cheguei no bar, uma mulher ma cantou, daquelas tipo caminhoneira, quando eu disse que gostava de pênis, ela me chamou de racha uó, e eu fui salva pelo Lucas que me viu assim que entrei com meu casaco laranja e dourado. Confesso que não sou muito boa em atividades de perseguição e discrição. Acabamos a noite tomando tequila, o boy dele não era nada divertido, e cantamos quase todas as músicas do karaokê. Memorável.
Quando o Bruno começou a falar de MTV e os últimos vencedores do VMA, eu me levantei pra ir ao banheiro. Antes que pudesse chegar à porta, o Lucas me agarrou pelo braço.
– Que merda é essa? Quando ele vai passar a perna por entre as suas?
– Tá louco, menino? – eu ficava chocada com a ansiedade sexual dele.
– Vai dizer que ta curtindo esse papo de música e MTV? Se eu soubesse que seria um encontro amigável, tinha ficado em casa cantando “Don’t Stop Believe”.
– Na verdade to achando ele um cara rico em informações diversas.
Ele ficou parado por uns segundos me olhando.
– Preciso retocar meu batom. – e entrou no banheiro masculino.
Ele tinha razão. O papo tava super chato e eu precisava pular em cima dele. Eu não queria admitir que o cara não tinha muito papo legal, afinal passei duas horas pra chegar nele na noite que nos conhecemos, e antes que eu pudesse esperar pra saber o segundo ou o terceiro nome dele, pulei em seu pescoço e só nos separamos depois da minha boca estar dormente. E fora o fato dele ser um gato! Homens com um abdômen durinho daqueles a gente não espera muito pra ver o que vai sair da boca deles. Só a língua dentro da sua boca.
Quando voltei pra mesa, ele parecia abandonado brincando com o canudinho. E voltamos aos assuntos diversos... Eu não me sentia muito empolgada. De repente o vaso criou vida e a cabeça de Lucas surgiu entre as folhagens.
– Oi, Karol! Amor! Nem vi você quando passei por aqui. – Bruno pareceu assustado.
– Foi, amigo? Nem eu vi você... – Eu queria dar um murro nele ao mesmo tempo em que eu queria dar uma gargalhada daquilo. Parecia inconveniente, mas eu achava hilário esses ataques do Lucas.
Ele deu a volta e ficou em pé ao lado da nossa mesa.
– Tudo bom, gato? Meu nome é Lucas e você deve ser... Tiago? – claro, ele tinha que fazer aquilo.
– Não, não. Bruno. Prazer. – e olhou pra mim com uma cara curiosa. Eu dei de ombros.
– Vamos, vamos, três mousses de cupuaçu com vodka. Você vai amar isso. – gritou pra atendente que já estava preparando.
Rapidinho deu dez horas e a música começou a ficar agitada. Eu comecei a sentir um calor e o Bruno começou a dançar demais. Quando ele trocava os pés nuns passos rápidos ao ritmo da música, o Lucas tocou meu braço e me perguntou o que era aquilo. Eu só fiz dar uma risada. Definitivamente, meu encontro tinha ido por águas. Aquilo estava virando costume, meus encontros casuais e tranquilos se transformarem em troca de pés e passinhos de dança. Da última vez, a Paula apareceu no meio de um jantar até elegante que estava tendo com o diretor de um clube de dança, e ela simplesmente começou a dançar com ele na pista junto com um monte de casal mais velho. Tudo bem, no fim ela acabou pegando o cara, eu achava ele muito velho pra mim mesmo, e ela me agradeceu pelas semanas de aulas de dança grátis.
Depois de cinco mouses com vodka, nós estávamos dançando e querendo subir no balcão. Como era de costume nós irmos lá para tomar duzentos sorvetes semanalmente, o pessoal que trabalha lá já nos conhecia, então era fácil lidar com eles. O bom do local era que durante o dia era uma sorveteria inocente, mas à noite os sorvetes e mousses ganhavam um toque de vodka, tequila e até mesmo Martini. Isa adorava o sorvete de groselha com Whisky, eu preferia os de frutas com vodka mesmo. Paula se entupia de Smirnoff Ice congelada com sorvete de limão e não parava de beber até estar com a língua dormente de gelada. Pelo menos eles economizavam no ar-condicionado.
Depois de me fazerem descer pela quinta vez do balcão, porque simplesmente eu queria fazer a linha do filme “Show Bar” e rebolar lá em cima, me contentei em dançar a coreografia completa de “Single Ladies” com Lucas no tapete em forma de laranja no meio da pista de dança. Quando dei por mim, estávamos num táxi a caminho de casa e Lucas não parava de cantar. O Bruno só fazia rir. Confesso que achei o jeito retardado dele um pequeno charme. No final de “Garganta” da Ana Carolina, estávamos em frente ao meu prédio.
– Quer que eu te leve até a porta? – perguntou Bruno com as bochechas rosadas. Lucas fez uma cara de Amélia.
– Anda, sobe com ela, gato.
– Mas eu não estou mais bêbada. Não precisa... – confesso que ainda me sentia tonta.
– Que se dane o Decreto. O abdômen dele é mais importante. – falou Lucas no meu ouvido. – Vamos, preciso ir pra casa. Dinheiro para o táxi. – e estendeu a mão estalando os dedos para o Bruno, que lhes entregou umas cédulas de dez. Eu mal conseguia acreditar na cara de pau de Lucas. – Boa noite, bunita! Beijo na princesinha. – Gritou de dentro do táxi, que seguiu até a esquina onde ele desceu e entrou no seu prédio.
– O que ele quis dizer...
– Não faço idéia. – o interrompi da pergunta embaraçosa.
Quando chegamos à minha porta, ele me deu um beijo suave e já ia se afastando, então, com a força e a vontade da vodka, somente dela, eu lhes puxei pela nuca e dei-lhe um chupão. Que se dane o Decreto mesmo. Ele me levantou pela cintura, me pôs para dentro fechando a porta com o pé, tirou a blusa pelas costas, um gesto que eu achava extremamente sensual, e me senti molhada. De suor. Daí em diante, tudo aconteceu como em câmera lenta, mas mais rápido do que eu podia processar.
Ele me deitou no sofá e começou a me beijar e a tirar minha blusa, deixando meu sutiã, e eu me sentia impaciente. A vodka sempre mexia com meus instintos, e o calor entre minhas pernas era maior que o normal. Quando ele tirou minha calça e assoprou entre minhas pernas, assoprou, juro pela minha bolsa Prada, eu tive um orgasmo.  Então ele deitou no chão da sala, tirou as calças e me colocou em cima dele, quando senti seu prazer pulsando em baixo de mim, me senti molhada de novo. De mais suor. Eram alguns gestos que me faziam tremer, a mordida suave em minha orelha, a puxada em meu cabelo, a língua circulando em volta de meu mamilo, era tudo uma loucura.  A sensação era de vários orgasmos consequentes e eu mal me sentia cansada. E ele muito menos. Quando os movimentos eram intensos e eu estava à beira de explodir, ele ia mais devagar e me impulsionava pra frente. Minha cabeça virava para trás. Então ele me virou de costas e beijou minha nuca, sua velocidade foi aumentando e foi quando tivemos a explosão juntos.
Era inacreditável o que tinha acabado de acontecer. Eu mal conseguia me mexer e estava ofegante, estava molhada de suor, e meus cabelos soltos e bagunçados. Ele me abraçou, me colocou em seu peito e foi quando eu comecei a relaxar. Adormeci rapidamente me drogando com aquele cheiro masculino.






______________
¹Personagem do seriado americano "Gossip Girl".
²Seriado musical americano apresentado pelo canal Fox no Brasil.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Inspire-se...



O que se pode fazer quando um sonho pelo qual se lutou tanto está prestes a ser perdido?


E o que se pode fazer quando esse sonho pode ser perdido justamente por uma falha momentânea sua?



Esse é o tipo de situação que acontece com muita gente, uma delas pode até ser você. Eu, por exemplo, me encontro nessa situação e definitivamente não sei o que fazer, aliás, até sei, só não tenho a certeza se esse é o caminho certo.
Nós passamos muito tempo em nossas vidas pensando sobre como deve ser o futuro, fazendo planos para os próximos anos, idealizando sonhos.. Sempre planejamos algo que corresponda perfeitamente às nossas vontades e necessidades.
Mas, por que será que não aprendemos ainda a valorizar algo pelo qual lutamos com tanta garra e demos tanto de nossa energia e de nossa alma pra se tornar realidade? Esse é o nosso grande defeito.
Lembro-me que há algum tempo atrás um de meus piores pesadelos se tornou um sonho. No começo não sabia como lidar com essa situação, mas com o passar do tempo acabei aprendendo. Quer saber como? Me inspirando.
Sabe aquela sensação que você tem quando começa a gostar desesperadamente de alguém? Você simplesmente não pára de pensar na pessoa amada e tudo parece bem mais fácil. As músicas sempre são mais intensas, os textos românticos sempre são melhores compreendidos e até uma simples risada acaba saindo de uma maneira diferente. Isso se chama Inspiração.
É essa a tal da força que faz com que os músicos compunham suas canções, os escritores passam para o papel suas emoções, eu mesmo estou me utilizando dela para escrever esse texto. E sobre inspiração só posso dizer uma coisa: é a melhor maneira para expressar o que é sentido por você, leitor.
Busque uma maneira de se inspirar, conte ao mundo como você se sente, não importa a maneira, simplesmente deixe f l u i r . Eu me inspiro sempre que assisto One Tree Hill e não me envergonho de confessar isso..
Seja quem você é, não se preocupe com o que pensarão sobre você. Sempre haverá críticos, mas também sempre haverá aqueles que irão te apoiar não importando a situação, assim é que funciona a vida.


D a n c e , pule , grite para todo mundo o que você realmente é, quem você realmente é. Viva a vida, curta não cada momento, mas sim “o momento” sempre. Isso é simples, apenas 

Inspire-se.






Texto de: Gleilson Costa 





quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"Eu, Meus Sapatos e os Namorados"




Capítulo 1
Prólogo


Quando o telefone tocou no fim da manhã, eu já havia perdido todas as esperanças de receber aquele telefonema, mas quando ouvi a voz de Bruno falando do outro lado da linha, meu coração deu um disparo de felicidade. Ele me ligou! Ele não perdeu meu telefone! Ele gostou de mim! Eu estava louca para ligar para a Paula e contar a novidade. Eu e ele marcamos de nos encontrar numa sorveteria perto da avenida principal, conhecida pelos sorvetes lights e ao mesmo tempo deliciosos, que assim podíamos comer enlouquecidas sem nos preocupar se a calça vai apertar na cintura ao fim de devorar uma taça gigante. O único problema seria demonstrar naturalidade diante da expressão assustada do nosso acompanhante.

A parte difícil era saber o que vestir, como sempre. O bom era que eu conseguira construir um closet enorme o suficiente onde eu podia arrumar as roupas por cores, tamanhos e estilos para determinadas ocasiões. O problema era que eu não conseguia encontrar a roupa adequada para a ocasião Encontro-Casual-Com-O-Cara-Gato-Para-Tomar-Um-Sorvete. Depois de duas horas e meia, optei por uma bata escura, calça capri perolada, acompanhada de um Scarpin preto que vinha até o tornozelo. O cabelo, decidi deixar solto e a franja com um toque pranchado natural. Consegui estar devidamente pronta em apenas meia hora de atraso.

O táxi não demorou muito, quando percebi, já esta em frente à sorveteria e eu me sentia nervosa. O mais sensato seria ter combinado com ele de ir me pegar em casa, mas de acordo com o “Decreto das Mulheres Independentes” que Isabela nos fez selar, nós deveríamos bancar as difíceis até poder ter segurança e liberdade suficiente para concordar que o cara possa nos buscar em casa, e na hora de nos deixar, esquecermos a cerimônia e coloquemos o gostosão para dentro, mas antes disso, deveríamos nos certificar que: a lingerie era exatamente proporcional entre sexy não vulgar e inocente mas pronta pro abate, palavras de Isabela; e é claro, se o cara pagou devidamente a conta, certificando-se de ter deixado uma gorjeta para o atendente. Porque, segundo ela, um namorado que não tem problema em dar gorjeta seria um marido generoso no limite do cartão. E embora esse detalhe vá contra o termo “Mulheres Independentes”, Isa confirma que bancar a difícil é uma exclusividade do começo da conquista, mas que a independência dentro do relacionamento é o vale night para as sextas depois do trabalho com as meninas “Independentes”, no caso, nós.

Só concordamos com esse Decreto, fora ser divertido seguir todo o regulamento para conquistar um homem e na prática acabarmos atropelando as vacas (termo usado por Paula para denominar as concorrentes), porque Isa dormiu com um cara gentil e amoroso, e de manhã recebeu um telefonema da esposa que chegara mais cedo de viagem e decidiu ligar para o marido e dar bom dia, e Isa teve a infelicidade de atender o telefone porque ele estava no banho. Claro que ela se certificou de jogar o celular na privada do Motel e saiu com o carro do safado antes mesmo dele terminar de se ensaboar, alegando para a recepcionista que ela precisava sair para comprar absorventes e voltaria para pegar o namorado que ficara dormindo e não queria acordá-lo. O fato é que ela nunca voltou, deixou o carro dele na esquina da rua e voltou de táxi para casa. Desde esse acontecimento, ela então criou o Decreto para nos protegermos de homens assim, e nós, por consideração, ou por amizade, ou simplesmente diversão, concordamos. E que ela mesma leva as regras a sério, para servir de exemplo, mas todas nós já apostamos para ver até quando ela agüenta sem dormir novamente com um cara antes de levantar sua ficha. Porque como Paula mesmo diz, não importa se o cara é casado ou não, o problema é dele e da mulher, e não nosso, afinal, é só sexo mesmo. Até onde nós sabemos, Paula ainda não se apaixonou verdadeiramente por alguém, por isso é aceitável a sua idéia.

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